Quando nos casamos pensamos que seremos felizes para sempre, que fomos feitos um para o outro e que não teremos nenhuma dificuldade no caminho e que para isso não precisamos fazer nada. Não sabíamos o quanto o sucesso do matrimônio depende do nosso empenho, e que as dificuldades do dia-a-dia podem interferir negativamente no amor e no sexo. Se não tomarmos cuidado, passaremos os dias discutindo divergências, problemas familiares e financeiros, reclamando que não estamos tendo o retorno que esperávamos do casamento. Vamos nos esquecer de namorar, de trocar gestos e palavras de carinho.
Segundo a terapeuta sexual e de casais Ana Maria Zampieri, há muitas razões, principalmente culturais, pelas quais isso acontece. “Uma delas é a construção sócio-histórica de fundo religioso que diz que temos obrigação de satisfazer sexualmente os nossos cônjuges mesmo quando não há desejo sexual”,
A “obrigação sexual” é ainda mais intensa quando o parceiro exige sexo mesmo que o cônjuge não esteja com vontade. Para resolver este impasse, o primeiro passo é o diálogo, pois esta postura exigente só leva a maiores desgastes e afastamentos. Muitas mulheres não têm prazer porque o casal não receberam educação para o prazer. Deve-se saber dizer NÃO quando não se quer. As mulheres hoje querem parceiros mais receptivos, que não utilizem seu poder para fazê-las submissas.
Outro fator que contribui e transforma o sexo em uma obrigação é a convivência. Muitos estudiosos dizem que o excesso de convivência mata a química do amor-paixão-tesão.
A total rotina e a previsibilidade um do outro, assim como a falta de criatividade no erotismo é que deixa o sexo “mecânico”, interferem na libido. A perda de interesse em surpreender a outra pessoa faz com que ela deixe de se sentir especial.
Manter a chama acesa depois de anos de convivência não é uma tarefa fácil – mas também não é impossível, e deve ser feita. Resgatar as respostas sexuais (o gostoso arrepio na nuca, o desejo incontrolável de ir para a cama após muitos beijos, as fantasias, o tremor do corpo quando tocado pela pessoa que desejamos) não é impossível. Para isso, devemos manter a nossa sexualidade sempre vibrante e presente, para evitar que o desgaste do dia-a-dia leve os casais a serem somente bons amigos e quase ex-amantes.
Amor não deve ser confundido com desrespeito, fica muito difícil desejar uma boca que nos desqualifica, beijar um corpo que nos maltrata e acariciar mãos que nos acusam ou nos agride.
Abaixo algumas dicas para resgatar o desejo do casal:
Para ser feliz temos que buscar sempre o prazer, não por dependência emocional ou financeira, mas sim por querer viver bem do lado da pessoa amada. O processo de reconquista é mais delicado que o da conquista.
Psicóloga: Mirtes Gonzalez Email: mirtes@aldeiadavida.com.br