Desmistificando a Psicoterapia

Por um longo período a psicoterapia esteve envolta numa aura de desconhecimento, mistério e preconceito. Tanto psicoterapeuta quanto cliente carregam rótulos que não lhes cabem. A mídia por vezes contribui para deturpar a imagem do profissional, impingindo-lhes caricaturas ridicularizadas, não escapando a isso também o cliente.
Os meios de comunicação prestam um serviço muito valioso à população, à medida que informa e esclarece, mas em contrapartida em diversas ocasiões o oposto é feito, confundindo-se assim o leigo.
A psicoterapia é um dos principais recursos com que contam os profissionais dedicados ao tratamento de problemas emocionais, das chamadas crises, ou das situações onde, por algum motivo, houve alguma parada ou atraso no desenvolvimento psicológico ou no processo de amadurecimento da pessoa.
Nós, profissionais da Aldeia da Vida, gostaríamos de passar o que entendemos do processo terapêutico e para tanto usaremos como metáfora a lenda da Viagem a Shantala.
“ Shantala é uma cidade que fica no cume do Himalaia. Imaginamos que para empreender uma viagem tão audaciosa, seria preciso contratar um guia especializado. Não um guia qualquer, mas a um membro de uma tribo montanhosa, alguém que fosse familiarizado com a região. Na nossa metáfora, comparamos o guia, chamado Sherpa ao psicoterapeuta.
O Sherpa é alguém que poderá facilitar a viagem, ele quer deixar que a viagem seja de quem a escolheu, o destino e o caminho a seguir será escolhido pelo viajante. Ainda que ele possa mostrar trilhas não percebidas, sugerir estradas, a última escolha é sempre do viajante que o contratou. O Sherpa conhece bem a região. Talvez ele nunca tenha seguido as trilhas escolhidas pelo viajante, mas o fato de conhecer bem as montanhas íngremes estar treinado em andar em ambientes selvagens facilitará a viagem. Devido a experiências anteriores, será capaz de descobrir pistas que dificilmente são visíveis, por serem cobertas por neve ou mato, e mostrá-las ao viajante , aumentando assim as possibilidades de escolha de uma trilha a seguir. Quando necessário poderá instruir a respeito de certas destrezas para escalar a montanha ou atravessar o rio. Poderá mostrar sinais de uma tempestade iminente e as precauções a tomar. Talvez encoraje

a caminhar para a frente quando medos imaginários paralisam o viajante. Poderá ajudar na identificação das pegadas na neve, aumentando o conhecimento das potencialidades da montanha. Poderá até, quando o viajante estiver muito absorvido pelo caminho à frente, ajudar a olhar para os arredores e tocando levemente o ombro do viajante, apontar para uma montanha mais alta de onde uma catarata se espalhe. Quando se começa a atingir as alturas, elevações onde nunca se esteve antes, se o medo da impossibilidade de respirar ou mesmo de perder a própria vida aparece, ele poderá orientar para respirar de outra maneira, mostrar que isto é somente uma questão de adaptação a um nível mais alto, para olhar em redor e perceber que nessa altitude, a beleza é mais impressionante e os desfiladeiros e as gargantas profundas são menos aterradoras. O Sherpa poderá lhe lembrar que quando estamos em tal altitude devemos nos movimentar com mais lentidão com precisão e cuidado.
O Sherpa ajuda-nos a carregar o fardo. Distribuindo a carga, o maior peso torna-se mais suportável, e liberta nossa energia para prosseguir no caminho, conhecendo e admirando o ambiente. Nossa coragem para prosseguir dependerá da segurança que sentimos de que temos bastante reservas para nos sustentar durante toda viagem.
As vezes não temos possibilidade de, sozinhos, carregar bastante comida, oxigênio, remédios, abrigo para nos servirem toda a jornada. Precisamos largar o que já não necessitamos mais para facilitar a jornada.
O Sherpa acredita que Shantala está ali, e que podemos somente lá chegar se for por uma trilha que nós mesmos escolhermos. Ele poderá conhecer atalhos, porém de nada adiantarão para nós, porque o único modo de chegar à Shantala é através do processo de cada pessoa encontrar seu próprio caminho. Quando atravessamos os planaltos temos de descer novamente, e perdemos a direção a seguir, ele nos garantirá que Shantala ainda está ali, apesar das voltas que teremos de fazer. Sua fé e esperança encorajam a continuar nossa jornada”. Assim como o Sherpa aprende a ser um guia através da sua própria experiência e conhecimento provavelmente viajando no início sob os cuidados de guias experientes, também o treinamento do psicoterapeuta é altamente experimental e realizado no contexto de uma aliança com o psicoterapeuta mais experiente.
O psicoterapeuta através de todo um preparo e estudo do ser humano, é o facilitador do processo de autoconhecimento do individuo. Trabalhando a autoestima, autovalorização, aspectos importantes para desenvolver a segurança e confiança do indivíduo.
Nós profissionais da Aldeia da Vida, estamos constantemente nos atualizando com o intuito de nos aperfeiçoarmos cada vez mais para prestarmos uma boa qualidade de trabalho aos nossos clientes.

Texto extraído e adaptado do livro – Quando fala o coração – de Antonio Monteiro dos Santos, Carl Rogers, Maria Constança Bowen. Editora Artes Médicas.

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