ENCONTROS E DESENCONTROS 


São duas horas da manhã. Revisei todo o meu e-mail, assisti a todos aqueles: “faça assim, para ser assado”, ”ações para ser feliz”, “palavras de sabedoria”, “atenção, cuidado com...”, “ser mulher é...”, “a coragem de...” e etc  e  tal.  Cansativo. Estou realmente farta destas mensagens. Não quero ser grosseira com pessoas que quero bem e  também não estou mais  “a fim”  de ler certas “mensagens” que parecem dizer tudo e não dizem nada. É como se faltasse algo, a “liga” que liga as  pessoas. E a Internet parece suprir, na impressão de dizeres e saberes, fotografias, conselhos,  avisos,partes do mundo aonde poderíamos estar, casas de pessoas famosas que podemos visitar...Tudo para preencher ... lacunas.
Percebo que mesmo eu faço isto. Não é crítica, é constatação. E agora?      
Como é ficar no silêncio, no vazio em meio à uma multidão, vagando, como cão sem dono, a pedir atenção?

Um dia, há uns dois ou três anos atrás, eu escutei em um workshop. Que...” falar e falar e falar... é um jeito delicado que encontramos para não entrar em contato com os outros”. Uma forma respeitosa de permitir ao outro, sua privacidade. Também, sua alienação!                            Por que será que chegamos a este ponto?

Ficar no nosso silêncio é ao mesmo tempo, perceber nossas emoções, nossos desejos, nossos pensamentos. Para muitos, já é uma grande empreitada de auto percepção. E estar em silêncio ao lado de outra pessoa?  É, além de se perceber, perceber o outro! Que situação difícil! Até perigosa. Esse “outro” pode não gostar! Então... falamos,falamos, falamos..., na  maioria das vezes, é um preencher um suposto (ou composto) vazio, ...um  não se tocar! E justamente o “toque” é aquele que ativa o pavio e dá o “mote”!   

A intimidade assusta! Aquela que nos desnuda, não fisicamente mas  interiormente, e que nos coloca verdadeiramente fortes e fracos, ratos e gatos, frente a frente !

A Internet nos “salva” disso. Os “torpedos” também. Ligar e convidar é escutar a resposta pessoalmente a uma pergunta: “Oi, você pode vir?” Isso é  diferente de enviar uma mensagem e escrever: “Oi, tem um evento dia tal, quer vir?”  Evita RECEBER uma resposta pessoal  que talvez não nos agrade, pois quem estará do lado de lá também evitará dizer a verdade, para “não ferir sensibilidades”  e ficamos a jogar o jogo da subjetividade, onde cada um finge ser alguém de verdade, aonde na realidade nem consegue dizer um “NÃO”, sem ter que dar milhões de explicações, para confundir não só aquele que escuta, mais ainda, àquele que  com sua  própria verdade  luta . Exonerando-se de própria responsabilidade, perante gostos e desgostos, sempre e sempre e  sempre...evitando alteridades!

CUIDADO! PERIGO! Grande palavra: ALTERIDADE! Que grande efeito tem, pois convoca quem a sustém, a ser definitivamente alguém!

Oi!...  Olá!...  Tudo bem?... E aí mano?... Que cê manda?... Tá tudo legal?...
Vamos combinar de... Gostei de vc, na próxima a gente....Quando vc puder, me liga...
Nosso vocabulário está diminuindo...na proporção em que estamos fugindo...
Interação? Talvez o ser financeiro, o  interesseiro, o aventureiro, ...e o parceiro? AONDE FICA?
NA SOMBRA! ESCONDIDO! PROCURANDO...
QUEM SABE ALGUM DIA...A GENTE SE VÊ POR AÍ!!!!!

Texto de autoria de Maria Beatriz Szili


Consteladora: MARIA BEATRIZ SZILI

Email: consultconstelar@yahoo.com.br