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Filho mal educado, trabalho dobrado
Os pais são os primeiros responsáveis pela educação
dos filhos. Certas ou erradas, as suas atitudes refletem nas ações
dos herdeiros: pais são modelos e o filho é o espelho.
Além da relação com os pais,
outras variantes interferem no comportamento infantil: problemas
emocionais, fatores genéticos e disfunções
do organismo. Nehuma delas deve levá-lo ao desespero, pois
há solução para tudo; basta encarar o problema.
Se não deu para prevenir, corrija
Boca suja
Você fala palavrão? Quando está
dirigindo, às vezes, escapa um, não é? Então,
sinta o puxão de orelha! Crianças aprendem imitando
os adultos. Antes de repreender seu filho por falar palavras feias,
corrija o seu próprio comportamento.
Se esse não é o caso, uma dica que
funciona com os pequenos, é chamar sua atenção
dizendo que vai lavar a boquinha suja deles. Também não
permita que tios, primos e avós achem graça na situação:
essa atitude estimula a criança a continuar falando bobagens.
A hora de dormir ou quando a criança brinca
tranqüilamente são ótimos momentos para reforçar
que palavrões são feios e não devem ser repetidos.
Na "calmaria" elas ficam atentas e absorvem facilmente
aquilo que lhes for dito. Adequar a maneira de falar à idade
de seu filho é importante: uma criança de 3 anos repete
o palavrão e não sabe o que quer dizer, mas uma criança
de 8 anos já sabe.
Escândalo em público
Jamais atenda a exigências de seu filhote por
vergonha da choradeira diante das outras pessoas. Se o fizer, ensinará
que, gritando, chorando e se jogando ao chão, ele conseguirá
o que quiser.
Ajoelhe para ficar da altura da criança e
chamar a sua atenção. Peça, com firmeza, que
olhe para você. Dê a ela a oportunidade de desabafar,
perguntando o que quer e por quê.
Proponha comprar o objeto do desejo no aniversário
ou no Natal. Ou diga que sente muito, mas não dispõe
de dinheiro. Descreva os motivos com calma, paciência e gestos
afetuosos. Se a criança continuar agitada, explique que espernear
não resolverá o problema e a convide-a a ver outras
vitrines.
Se a criança aceitar o acordo, beije-a ou
faça um gesto de carinho. Ensinar a passividade e a desistência
dos desejos acarreta o risco de forjar um adulto sem expectativas
nem forças para lutar por ideais, que abre mão dos
desafios diante do primeiro obstáculo. E não é
isso que queremos.
Para acabar com as brigas
Converse com a criança antes da visita chegar.
Discretamente, sem mostrar a sua preocupação, sugira
ao seu filho que mostre os brinquedos para os amiguinhos que logo
estarão com ele.
Sugira a ele selecionar os brinquedos: guardar em
lugar seguro aqueles que não quer dividir e deixar os outros
disponíveis para brincar com os colegas. Isso evita confusão.
Criança levada, atenção
redobrada
Comportamento agressivo e gestos bruscos merecem
um olhar atento, pois há riscos de acidentes. A mensagem
que a criança passa é a seguinte: "Olhe para
mim, estou aqui, fale comigo".
Dê a atenção exigida no momento.
Não é correto pular no sofá, mas a criança
não espera gritos, nem tapas, apenas uma historinha ou um
aconchego. Há atitudes que funcionam como "calmantes".
Quando o filho não pára de correr, pular e gritar
pela casa, faça cócegas nele, sussurre palavras doces
e dê um abraço gostoso. Acalma a criança e dá
a ela a segurança e o colo de que precisa.
Esporte descarrega a energia; para a meninada agitada
é uma ótima pedida. Brincar em lugares abertos, também:
dá para correr, andar de bicicleta e jogar bola. Não
esqueça de alimentá-los e hidratá-los bem para
essas atividades.
Regras
que resultam em boa conduta:
• Prometer e não cumprir tem um péssimo significado
para os filhos, pois quebra a confiança depositada nos pais.
• Não encha a criança de brinquedos caros e
sofisticados para compensar a sua ausência: quando adulto
pensará que pode comprar tudo na vida, inclusive pessoas.
• Melhore o seu comportamento, ou logo estará se perguntando:
"com quem esse menino aprende essas coisas?"
• Use o bom senso para impor limites. Se a criança
pular no sofá com você por perto para garantir que
não se machuque, tudo bem. Mas se pendurar no lustre é
abuso!
• Faça questão de chegar na hora certa aos compromissos
que envolvem seu filho - reunião na escola, pediatra e festa
dos amiguinhos. Atrasos fazem a criança pensar que não
é importante para você, desencadeando rebeldia.
• Questione aspectos morais, fale da convivência em
sociedade e mostre indignação diante de coisas erradas
para deixar bem clara a importância da ética e da honestidade.
• Obrigações domésticas ensinam noções
de organização: guardar brinquedos, arrumar o próprio
quarto, retirar o prato da mesa, colocar o copo na pia e hora certa
para as tarefas da escola.
Punições, resultados e conseqüências
Vale refletir sobre as suas atitudes em situações
de estresse. As crianças estão sempre testando os
limites dos pais. Quando você responde com agressividade,
mostra que seu emocional não está equilibrado naquele
momento e atesta falta de controle sobre o pequeno danadinho.
Grito
O grito funciona como "quem manda aqui sou eu".
Tenha cuidado, pois estará ensinando que o grito é
sinal de poder. Logo a criança se tornará forte o
suficiente para gritar com quem ousar contrariá-la, inclusive
com você.
O tom de voz deve ser firme e claro. Uma ordem ou
uma repreensão não deve vir carregada de emoção
- olhos vermelhos e veias sobressaltadas. Não é preciso
exagerar, basta garantir que a criança obedeça.
Castigo
Fale sobre o motivo do castigo. A falta de explicação
valoriza a punição e a razão fica esquecida.
Não magoe ou humilhe a criança. Essas sensações
marcam negativamente a personalidade de qualquer pessoa.
Pergunte a ele se acha o castigo justo. Converse
sobre a punição adequada para chegar a um acordo que
satisfaça a ambos. Você se surpreenderá com
o resultado, desde que se faça cumprir o combinado.
Não seja malvado. Cortar o passeio na hora
"h", trancar no quarto e proibir o doce favorito só
irritam a criança e têm efeito destrutivo.
Chantagem e ameaça
A intenção é amedrontar para
que a criança obedeça, caso contrário algo
de ruim acontecerá. Isso traz angústia e desperta
a raiva. Mais tarde, as próprias crianças usarão
a mesma técnica com os pais.
Mãe tem mania de ameaçar contar ao
pai as travessuras do filho. A transferência de autoridade
tem dois lados: deixa a mensagem de que o papai não está
presente, mas participa da educação da criança.
Porém, dá a idéia de que além da mãe
ser "dedo duro", não é capaz de tomar atitudes
severas.
Palmadas
Agressão ao menor é proibida por lei.
Bater no rosto ou na cabeça humilha a criança e gera
mágoa no lugar da solução.
Partir para a loucura é sinal de que você
não dá conta da carga emocional imposta pelo que está
à sua volta. É a descarga do estresse provocado pela
tensão vivida no trabalho, problemas familiares e financeiros
e frustrações.
É, também, uma reação
imediatista. Afinal, educar com sabedoria demanda tempo e paciência.
Repare, no dia-a-dia, que bater resolve na hora: a criança
pára de fazer arte e fica quieta. Mas no dia seguinte repete
as traquinagens.
Autora: Daniela
Ruiz de Mendonça
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