Musicoterapia e Auto Conhecimento
                                      

            Quando falamos em Musicoterapia, logo uma dúvida aparece: O que é? É um relaxamento com música? É uma terapia onde ligamos o rádio ou aprendemos a tocar algum instrumento? Como é feito? Por quem? Para quem?
            Todas essas dúvidas são normais e muito freqüentes por se tratar de uma profissão com um código social pouco disseminado. Um código social é algo que já está impregnado em nossos conceitos de profissão, como por exemplo: médico, advogado, professor. Profissionais que exercem uma função definida: medicar, resolver causas judiciais, ensinar... Agora, qual é o código social do musicoterapeuta?
            Ainda não está plenamente estabelecido, então, para facilitar, nos utilizamos um código um pouco mais aceito, que é o caso da psicologia. Um pouco mais aceito, e não totalmente, porque nem sempre o papel do psicólogo ou do terapeuta é compreendido do jeito que é de fato. Para muitos, fazer terapia ainda tem a conotação de ‘curar uma loucura’, ou ‘consertar as coisas erradas da vida’. Longe disso, a terapia não é um meio de ‘curar o outro, ou consertar algo errado’, mas de se auto-curar, ou simplesmente, de ‘se auto aceitar’, ‘se olhar’. E nada tem a ver com loucura, embora também exista no campo de psiquiatria e das deficiências neurológicas e mentais. A terapia é algo para todos, independentemente da idade, sexo, cultura ou posição social. E nem sempre precisamos ter alguma doença ou patologia para passarmos por um processo terapêutico.
            Agora, voltando para a musicoterapia, percebemos que é um processo terapêutico próximo à psicologia (principalmente em muitas técnicas e fundamentos), mas então qual a principal diferença? É que a musicoterapia é um processo terapêutico expressivo e não-verbal, ou seja, em vez de me expressar verbalmente, eu sonorizo, canto, me movimento, toco instrumentos, danço, e desperto minha imaginação. A música, como arte do som, do movimento e da vibração, desperta memórias, reminiscências e sensações guardadas no interior de cada ser. Um terapeuta é o facilitador do caminho rumo ao autoconhecimento, estimulando o indivíduo a encontrar respostas às suas expectativas de desenvolvimento de sua própria personalidade e história, podendo reinventar o seu papel na vida. Cabe a cada um querer ser o dono e protagonista da própria história.
Longe de comparar qual é melhor, tanto a psicologia quanto a musicoterapia são terapias eficazes disponíveis segundo o gosto, o estilo e a preferência de cada cliente, podendo até, ser complementares, pois algo é importante ser lembrado: não somos sempre uma coisa só, não somos só mente, ou só emoção, só corpo ou só alma... somos UM SER COMPLETO, e a terapia, seja ela do jeito que for, nos traz uma nova forma de nos perceber no mundo.
           

Musicoterapeuta:

  Eloisa Sanches Ribeiro